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Jussara Silveira, Zé Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski
A relação entre poesia e música é uma das riquezas características da canção brasileira. Nossa tradição acumula exemplos extraordinários de casamento entre música e letra, num plano em que a invenção da poesia só não é maior do que a criação musical. Reunindo os talentos musicais e literários da cantora Jussara Silveira, do compositor, cantor e pianista (e professor da USP) Zé Miguel Wisnik e do compositor, violonista e ensaísta (e editor da PubliFolha) Arthur Nestrovski, este espetáculo traz uma seleção de canções, de Wisnik e outros autores (incluindo os próprios Wisnik e Nestrovski), entremeadas de breves conversas sobre vários assuntos referentes à canção brasileira, que há mais de um século inventa tão variadamente seus destinos, no cruzamento entre o erudito e o popular. Para quem não tiver familiaridade com as nossas formas de fazer canção, será talvez mais fácil explicar do que se trata fazendo uma analogia com o repertório dos Lieder do início do século 19 – outro momento quando compositores e poetas se uniram para inventar um acervo de criações combinadas, musicais e literárias, que viria a ter especial pertinência para a cena cultural da época. Foi este o ponto de partida, aliás, para uma série de versões de canções de Schubert (1797-1828) e Schumann (1810-56) recriadas aqui como canções brasileiras – na voz de Jussara Silveira, nas letras e no violão de Arthur Nestrovski, no piano de Zé Miguel Wisnik –, lado a lado com a música de Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Ernesto Nazareth, entre outros. São canções que conversam umas com as outras, através do tempo e através dos gêneros, no contexto muito especial que caracteriza a nossa arte da canção.
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